Han Geu-ru tem vinte anos, síndrome de Asperger, memória extraordinária e um método: diante do apartamento de alguém que morreu, ele lê os objetos até entender quem foi aquela pessoa. É o ofício que aprendeu com o pai — organizar os pertences dos mortos, limpar o que ficou, separar o que importa numa caixa amarela e entregá-la a quem restou. Quando o pai morre de repente, o negócio fica com ele, que não tem idade nem preparo para tocá-lo sozinho.
O tutor que o pai deixou nomeado é um tio que Geu-ru nunca viu: ex-presidiário recém-solto, lutador clandestino nas horas vagas, seco e sem paciência, que aceita o encargo por dinheiro e cumpre um período de convivência obrigatório antes de decidir se fica. A dupla é feita de opostos — um lê os mortos com atenção quase clínica, o outro não quer olhar para nada — e a série vai desmontando devagar o rancor antigo que separou o tio do meio-irmão mais velho.
Cada um dos dez episódios se organiza em torno de um caso, quase uma antologia: um quarto, um objeto, uma vida remontada pelo que sobrou dela. O assunto de fundo é o luto, o isolamento e os jeitos torpes de amar sem saber dizer.












