Eun Dan Oh estuda num colégio de elite, é filha única de família rica e convive desde sempre com um coração já operado várias vezes. O que ela descobre, aos poucos, é pior que o diagnóstico: o mundo em que vive é uma história em quadrinhos chamada Segredo, todos ali são personagens, e ela não é a protagonista. É figurante, com um papel curto e ingrato escrito por alguém que nunca vai ver — prometida a um rapaz que a despreza, condenada a morrer da própria doença sem que ninguém no enredo repare.
A série constrói uma regra clara para brincar com isso. O mundo alterna entre a cena, quando o autor assume o controle e todos falam e agem exatamente como está desenhado, e a sombra, o intervalo entre uma cena e outra, em que os personagens ficam soltos e podem fazer o que quiserem. Dan Oh só se lembra do que acontece na sombra — e é ali que ela tenta empurrar a própria história para outro lugar, driblando falas e encontros que o roteiro já marcou.
O aliado que ela encontra é um estudante sem nome e sem falas, o número treze da lista de chamada, que os outros personagens sequer notam. São trinta e dois episódios, adaptados de um webtoon coreano, e a metalinguagem serve a uma pergunta simples: dá para amar por escolha quando o sentimento já veio escrito?












