Guardiões de Dafeng adapta um romance web chinês de enorme popularidade e parte de um deslocamento: um funcionário de escritório do nosso tempo acorda dentro do império fictício de Dafeng, no corpo de Xu Qi'an, e precisa se virar com o que sabe — método de investigação, cálculo, um pouco de química — num mundo onde magia, monstros e seitas secretas são fato corriqueiro. O primeiro aperto é doméstico: a família dele cai sob acusação, e é resolvendo isso que ele entra para a guarda noturna.
A guarda noturna do título não é ofício humilde. O nome vem dos vigias que batiam o gongo para marcar as horas, mas o corpo em si é um órgão de aplicação da lei que responde diretamente ao imperador, fiscaliza funcionários e apura tanto crime comum quanto ocorrência sobrenatural. Dentro dele, Xu Qi'an empilha casos bizarros e ganha fama de melhor investigador do império, enquanto percebe que os episódios isolados se ligam a uma disputa maior entre forças que operam acima da corte.
Com 40 episódios em uma temporada, a série alterna arcos de investigação fechados com essa trama de fundo sobre a estabilidade do império, e mantém o registro de comédia que o gênero de fantasia de cultivo costuma acomodar bem — o protagonista resolve enigma antigo com raciocínio moderno, e a piada nasce quase sempre desse descompasso.












