Kingdom se passa num Joseon assolado por uma peste que reanima os mortos, mas a ameaça mais imediata, no início, não é sobrenatural: é política. O rei está gravemente doente — ou pior — e o clã Haewon Cho, cujo chefe ocupa o mais alto cargo do conselho de Estado e cuja filha é a rainha, esconde a condição do soberano para manter o poder. O príncipe herdeiro Lee Chang é filho de uma concubina: se a rainha, grávida, der à luz um menino, o trono passa ao recém-nascido e ele perde a posição. Com dezenas de letrados presos e torturados sob acusação de conspirar para depor o rei em seu favor, Chang foge do palácio atrás do médico real e esbarra, em Dongnae, numa epidemia que já dizimou uma clínica inteira.
A série usa o zumbi para falar de fome, desigualdade e abuso de poder. A origem da praga está numa planta de ressurreição usada para reanimar o corpo do rei, e o contágio se espalha primeiro entre os mais pobres, que comeram carne humana por desespero num hospital de caridade sem comida. É um dos raros casos em que o gênero zumbi e o sageuk se combinam sem que um pareça pretexto para o outro.
São seis episódios por temporada — doze nas duas primeiras —, de ritmo compacto. De 2019, foi um dos primeiros grandes sucessos internacionais de uma produção coreana feita para streaming.












