Adaptado de um romance de Priest, autora conhecida por dar ao wuxia protagonistas femininas fora do molde, Lenda de Fei se passa num mundo das artes marciais em decadência. O avô de Zhou Fei fundou os Quarenta e Oito Redutos para conter a violência e proteger a gente comum; morto ele, o prestígio das seitas minguou, e quem comanda o lugar agora é a mãe dela, sucessora dura e vigilante. Zhou Fei cresceu ali dentro, segura e entediada, tentando fugir de um refúgio que também é cerca — e falhando em todas as tentativas.
A saída vem por acidente: ela quase se afoga ao salvar um primo e é resgatada por um espadachim errante de origem obscura, folgado e bem mais habilidoso do que aparenta. Quando finalmente obtém permissão para descer a montanha, os dois voltam a se encontrar e passam a treinar e viajar juntos, entrando nas disputas entre clãs e facções que a decadência abriu — inclusive um segredo enterrado havia vinte anos que meio mundo quer desenterrar.
A inversão é o ponto: o wuxia costuma organizar tudo em torno da vingança ou da honra de um herói, e aqui a motivação inicial da protagonista é mais crua — sair, ver o mundo, medir a própria força. São cinquenta e um episódios, fôlego de sobra para arcos sucessivos de clã e território.












