Os três irmãos Yeom moram em Sanpo, um vilarejo de Gyeonggi, e passam boa parte do dia dentro de ônibus e trem a caminho de Seul. O deslocamento é a metáfora que sustenta a série inteira: morar num lugar de onde só se quer sair, trabalhar noutro onde nunca se pertence e chegar em casa tarde demais para fazer qualquer coisa com o que sobrou do dia.
Mi-jeong, a caçula, é a mais calada dos três. Pressionada pela empresa a entrar num clube interno, ela se junta a dois colegas que também recusaram todos os outros e inventa o Clube da Libertação — três pessoas que se encontram para dizer em voz alta o que não conseguem dizer em nenhum outro lugar, sem conselho, sem consolo e sem obrigação de melhorar. É nesse mesmo período que ela faz ao Sr. Gu, o forasteiro silencioso que apareceu no vilarejo e passou a trabalhar na oficina de pias da família, um pedido que a série nunca explica direito: que ele a adore.
São dezesseis episódios praticamente sem reviravolta de enredo. O que segura é a precisão com que o texto descreve exaustão sem dramatizá-la — ninguém grita a própria infelicidade, e a câmera dá tempo para cada silêncio significar alguma coisa. Virou referência do drama coreano contemplativo por recusar tanto o melodrama fácil quanto a resolução terapêutica.












