Qingying é parenta próxima da imperatriz Ulanara, esposa de Yongzheng, e amiga de infância de Hongli, o quarto filho dele. Quando a família da tia cai em desgraça, ela entra na casa do príncipe como consorte secundária, e não como esposa principal. Hongli sobe ao trono como imperador Qianlong; a imperatriz-viúva lhe concede um nome novo, Ruyi — «bela e serena» —, para cortar o passado, e é sob esse nome que ela atravessa a corte inteira.
O caminho é longo e vai nas duas direções. Ruyi é feita concubina de posto alto, acusada de atentar contra os filhos de outras mulheres, rebaixada a plebeia e trancada no palácio frio, reabilitada quando a farsa desaba e, por fim, elevada a imperatriz. O título não a protege. A ascensão de Wei Yanwan, que sobe de serva a favorita e trabalha metodicamente para separar o casal, encontra terreno pronto na desconfiança do próprio marido. Ao lado de Ruyi sobra Hailan, a irmã de juramento que paga uma gentileza antiga com lealdade sem limite.
O gesto que ficou é o do cabelo cortado: proibido fora do luto, Ruyi o comete diante do imperador, e o casamento acaba ali — embora a vida dos dois ainda siga por anos.












