Oomae Haruko chega à S&F, tradicional trading de alimentos em Marunouchi, contratada por uma agência de trabalho temporário e com três condições aceitas de antemão: não renova contrato, não faz nada fora da seção para a qual foi designada, não trabalha em feriado nem hora extra. Aos 33 anos ela cumpre o horário à risca, sai quando o expediente acaba e não bajula funcionário efetivo nenhum — o que a torna imediatamente antipática na seção de marketing onde a puseram.
O que o escritório demora a entender é o que ela traz na pasta. Haruko começou como operadora de caixa de supermercado, a seiscentos ienes a hora, e subiu até a classificação máxima da agência acumulando licenças: enfermagem, obstetrícia, cozinha, preparo de baiacu, treinamento de cães, sexagem de pintinhos, quarto dan de kendo, barbearia, paraquedismo, materiais perigosos, combustível nuclear. Qualquer emergência que estoure na empresa, ela resolve dentro do horário e vai embora.
A comédia serve para discutir o mercado de trabalho japonês: de um lado a precariedade de quem é temporário, do outro a acomodação de quem tem estabilidade. Treze anos depois da primeira temporada, uma segunda leva Haruko de volta à mesma empresa, agora sem o fôlego que tinha, chamada de novo por quem se lembra do que ela fez.












