No Japão, quase todo indiciado que chega a julgamento sai condenado: o índice de condenação em processo criminal beira 99,9%, o mais alto do mundo. A série parte do reverso desse número. Miyama Hiroto é um advogado moço e fora de esquadro que só aceita causa criminal e persegue os 0,1% restantes. Refaz na prática o percurso descrito no inquérito, remonta a cena e começa toda conversa com o cliente perguntando de onde ele vem. Justiça e verdade variam de pessoa para pessoa; o fato, diz ele, é um só.
Ele foi caçado pelo escritório Madarame, uma das quatro maiores bancas do país, que acabou de criar uma sala dedicada a casos criminais. Quem chefia a sala é Sada Atsuhiro, ex-promotor de Tóquio virado advogado, craque em causa cível e consultoria de empresa, para quem só vencer interessa e para quem crime é serviço que não dá dinheiro — aceitou o posto porque lhe prometeram a sociedade principal ao fim de um ano. O atrito entre o chefe que quer a vitória e o subordinado que quer o fato move os episódios, resolvidos um a um.
Miyama carrega um motivo antigo: o pai foi preso como suspeito de homicídio quando ele era criança. A segunda temporada acrescenta ao duelo entre promotoria e defesa a figura do juiz.












