Um policial se muda com a mulher e a filha pequena para Kuge, aldeia isolada nas montanhas do Japão, e assume sozinho o único posto policial do lugar. A recepção é fria desde o primeiro dia: o antecessor dele sumiu sem explicação, uma moradora idosa aparece morta num ataque que todos atribuem a um urso, e os ferimentos não combinam com a versão que a vizinhança inteira repete. Quanto mais ele pergunta, mais o nome dos Goto aparece — a família que manda na aldeia e decide, na prática, o que ali é lei. A insinuação de canibalismo dá título à série e ao mangá de Masaaki Ninomiya que a originou.
O isolamento geográfico funciona como isolamento moral: as regras que valem lá dentro não são as mesmas de fora, e quem chega demora a entender até onde vai essa diferença. A tensão também é doméstica — a filha do policial não fala desde um episódio do passado da família, e a mulher precisa criar raízes num lugar que não quer os três. É um thriller rural que usa o ritmo lento a favor do desconforto, mais próximo do horror psicológico do que da ação policial convencional.
São quinze episódios divididos em duas temporadas: a primeira estabelece o mistério da aldeia e o cerco em volta da família recém-chegada; a segunda vai atrás do que sustenta esse arranjo.












