Oh Ae Sun nasceu em 1951 numa aldeia de Jeju, filha de uma haenyeo — as mergulhadoras que sustentavam a economia da ilha colhendo do mar sem equipamento. Quer ser poeta num lugar onde nem frequentar a escola lhe é garantido, e responde à falta com uma teimosia que a série trata como sua melhor qualidade. Yang Gwan Sik, único herdeiro homem depois de quatro gerações da família dele, é o oposto: cala, trabalha e ama Ae Sun desde criança sem calcular retorno.
A história os acompanha do namoro à velhice, dividida em quatro atos que correspondem às quatro estações do ano. Mas quem narra não é nenhum dos dois: é Yang Geum Myeong, a filha mais velha do casal, nascida em 1968 — a geração que recebe o sacrifício dos pais ao mesmo tempo como herança e como dívida, e que precisa decidir o que fazer com isso longe da ilha. Boa parte do percurso é dela.
O título original está em dialeto de Jeju e quer dizer algo como 'você passou por muito', o que se diz a quem trabalhou duro. É a chave da série: dezesseis capítulos que preferem a cena específica e demorada ao resumo, e deixam de fora tanto quanto mostram.




























